Aeróbico em Jejum: Funciona ou não?!
- 9 de set. de 2017
- 3 min de leitura

O emagrecimento é sem dúvida um dos principais objetivos das pessoas que iniciam a pratica regular de exercícios físicos, uma das estratégias mais polêmicas para atingir tal resultado é o chamado aeróbio em jejum (AEJ), também conhecido pelo termo "aerobiose".
O treinamento aeróbico utiliza mecanismos que regem esse processo: o aumento da regulação do transportador de glicose tipo 4 (GLUT-4) que afeta sinais de insulina, a diminuição de citocinas pró- infamatórias circulantes, a eficiência no metabolismo de ácidos graxos livres e a função mitocondrial do músculo esquelético. O treinamento aeróbico também pode exercer uma importante ação sobre o tecido adiposo visceral, especialmente no fígado, melhorando o perfil lipídico e inflamatório, mesmo sem ocorrer emagrecimento. No entanto a ideia da aerobiose seria aproveitar as baixas reservas de glicogênio após uma noite de sono,basicamente os estoques de glicogênio comprometidos pelo jejum noturno, são priorizaridos por nosso corpo na oxidação de gorduras no fornecimento de energia para essa atividade.

Devo admitir que a ideia por trás do conceito do AEJ/aerobiose é de fato tentadora. Ela se baseia na dinâmica da utilização de substratos (carboidrato, gordura e proteína) para fornecimento de energia durante o exercício físico (Gentil, 2010), o fato é delicado, pois diversos sistemas do nosso corpo funcionam unicamente com a presença de glicose, O cérebro, por exemplo, só funciona na sua presença, além disso, quando passamos muito tempo sem nos alimentar, a glicose sanguínea (glicemia) pode cair bastante, instaurando um quadro conhecido por hipoglicemia (McArdlle, 2008), caracterizado por dores de cabeça, tontura, enjoo, náuseas, escurecimento da vista, desmaio e, em casos extremos, coma seguido de morte.
Como os estoques de glicogênio estão comprometidos pelo jejum, nosso organismo vai tentar de todas as maneiras produzir glicose e evitar as complicações causadas pela sua baixa disponibilidade. Para nossa sorte, a glicose pode ser sintetizada a partir das gorduras (triacilglicerol) e das proteínas (aminoácidos), processo chamado gliconeogênese, o que torna a aerobiose uma assunto interessante para alguns praticantes de atividades físicas visando a diminuição da porcentagem de gordura corporal, porém, em contrapartida, diversos estudos demonstraram a ineficácia desse tipo de atividade quando comparada com o aeróbico após o período alimentado. A diferença do gasto calórico entre as duas atividades é ínfima e os praticantes que realizaram aerobiose não conseguiram concluir boa parte dos exercícios propostos com excelência e chegar a sua finalização.

Claramente a prática de exercícios físicos em jejum afeta diversos parâmetros metabólicos, que não apenas influenciam e são influenciados diretamente pelo exercício, mas geraram desequilíbrios no organismo. Tais desequilíbrios podem refletir em desequilíbrios na saúde dos praticantes, sem realmente potencializar o emagrecimento.
Porém existem pesquisas que defendem o aeróbico em jejum como potencialmente responsável pela perca de peso se comparada a atividade realizado no período alimentado.
Acredita-se que há dois horários muito eficientes de se realizar aerobiose para queima de gordura, o primeiro seria logo pela manhã, ao acordar, com estômago vazio. Neste caso é preciso garantir uma ingestão hídrica com cerca de 300 a 500 ml de água para prevenir a desidratação, pois água drena fluidos para dentro da célula e evita a quebra proteica.
Alguns estudos promovidos pelo pesquisador sueco Torbjorn Akerfeldt apontam ser possível solicitar três vezes mais gordura se exercitando pela manhã, em jejum, comparado à mesma atividade promovida no período da tarde após refeições, Tobjorn ainda recomenda pelo menos seis horas de jejum antes da atividade, nessa situação, acredita Akerfeldt, que o organismo não tenha muito glicogênio estocado para ser solicitado como fonte de energia, ou seja, teria que ir direto aos depósitos de gordura para fornecimento de energia para que se possa completar a atividade. Mais interessante ainda foi sua observação de que a proteína degradada diminuiu ao invés de aumentar durante a aerobiose em jejum (GUIMARÃES NETO e PERES, 2007).
O mais importante é entender que seres humanos são seres bem específicos, logo, cada caso é um caso. É importante avaliar o paciente individualmente e planeja a estratégia que melhor se adequar ao mesmo. Contar com a ajuda de profissionais capacitados para isso é um ótimo começo, um bom profissional de educação Física e uma Boa Nutricionista irão auxilia-lo á alcançar com saúde seus objetivos.



Comentários